Trechinhos

  • José Rezende Jr.

5 ANOS EM 50
Pois desse tempo todo o que prestou foi só a época da construção. Cinco anos de trabalho duro, sol quente, comida fria, derrubando árvore, levantando moradia chique pra gente não morar, varando noite sem dormir. Mas a gente sonhava. Ah, moço, cada sonho…

MEMORIAS DO GOZO (Nº 1)
Trabalhavam sem parar e quando era domingo eles cansados dormiam dentro de mim. E eu sonhava o sonho que vinha no gozo deles.

  • Liziane Guazina

O SILÊNCIO SE PROLONGA (OU QUASE UM AMOR BRASILIENSE)

Ele já havia enviado uns dois  ou três e-mails dizendo que estava com saudade. Ela, porém, tinha deixado de pensar nessas coisas para não se incomodar mais na vida. Em um deles até respondeu também estou com saudade, mas aquilo foi tão automático, foi como se resmungasse para o sobrinho, ou estivesse dizendo, ok, beleza, me deixa em paz, a gente só se viu uma ou duas vezes no andar, poxa. E o silêncio se prolongou por um bom tempo entre eles.

O DEDO INDICADOR

– Alô!

– Eu sei que tu estás trabalhando no Ministério da Saúde. E almoça quase todo dia no restaurante chique da 113 Sul. Além disso, costuma caminhar bem cedo na tua quadra com tua velha. Agora, escuta o seguinte. Eu tenho o que tu procuras. Mas tem um preço.

David não respira. A boca está seca, as mãos, suadas. O homem continua, sem trégua.

– Trinta mil em dinheiro. Notas pequenas. E sem PF na jogada.

David tenta articular uma resposta. Suas faces ficam vermelhas, os olhos se enchem de lágrimas, já foi enganado uma vez, não pode cair novamente. Quando isso vai acabar?

– Calhorda! Cafajeste! – são as únicas palavras que lhe vem à boca.

– Não queres encontrar tua irmã? – desafia o homem, antes de desligar.

Certa manhã de segunda-feira, no entanto, lá estavam os dois se esbarrando no corredor apertado do Ministério.

  • Pedro Biondi
E BRASÍLIA, AO FIM E AO CABO, 

É a Atlântida de Niemeyer

ou o Projac do Paulo Octavio?

(Ou o Projac do Niemeyer? Ou a Atlântida de Paulo Octavio?)

7 DE SETEMBRO

Não jogue amendoim para os urutus

  • Fernanda Barreto

PLANALTO

desacostumado
à imensidão
dos detalhes,
as paisagens soam
todas iguais
ao tato do principiante.

  • Nicolas Behr

casar
e ter um filho
mas antes passar
num concurso público
passou
e concursindo nasceu

  • André Giusti

OUTRA HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Joanir apóia as mãos cruzadas na ponta do cabo da vassoura. Deixa o pensamento escapar pelos olhos e seu rosto volta-se para baixo, pesado de uma preocupação ainda maior que aquele corredor que ele não esfregou nem metade. Toda hora interrompe e fica olhando o final do corredor, mas não espera nada dali. O problema é a arma que o primo pediu para ele guardar em casa, e por isso a mulher enche a cabeça de Joanir há quatro dias. Mas hoje ela ameaçou chamar a polícia (…)

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Uma resposta para “Trechinhos

  1. Lindas fotos coletivas, ótima energia, excelentes trechinhos. Claro que vou ler… e não é só porque ela é minha irmã, viu? ;)

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